G7 da CPI da Covid decide votar convites a Osmar Terra e Ludhmila Hajjar

Deputado é próximo a Bolsonaro

Seria do “gabinete das sombras”

Médica falaria de sequelas da covid

Senadores independentes e de oposição ao governo Bolsonaro na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid decidiram votar na próxima 3ª feira (8.jun.2021) convites para o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e a médica Ludhmila Hajjar comparecerem ao colegiado.

A iniciativa vem na esteira da divulgação de um vídeo com trechos de um evento em setembro de 2020 em que o doutor em virologia Paolo Zanotto propôs ao presidente Jair Bolsonaro a criação de um “gabinete das sombras” para aconselhar o governo federal no combate à pandemia de covid-19. Terra estava sentado ao lado de Bolsonaro no encontro com profissionais de saúde, que tinham o deputado gaúcho como um “padrinho“.

Também presente no evento, médica oncologista Nise Yamaguchi disse que era uma “honra” trabalhar com o deputado “nesse período” –sem mais detalhes. Na 3ª feira (1.jun.2021), Yamaguchi ratificou a senadores da CPI declarações anteriores em que defendia o tratamento precoce como forma de salvar vidas na pandemia e que, por isso, a vacinação de toda a população não seria necessária, mas negou conhecer um “gabinete paralelo”.

 

 

Membro titular da comissão, o senador Otto Alencar (PSD-BA) confirmou ao Poder360 que o vídeo do encontro no Planalto criou o ambiente para o convite a Osmar Terra. “Ele foi, talvez, um dos maiores defensores de imunidade de rebanho e do tratamento precoce. E foi negacionista contra a vacina”, ressaltou.

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), manifestou nos últimos dias a vontade de apresentar um requerimento pela convocação de Terra. No entanto, o pedido esbarraria no mesmo dispositivo do regimento interno do Senado que criou restrições à ampliação do escopo de investigação da comissão para governadores e prefeitos. O Art. 146 não admite comissão parlamentar de inquérito sobre matéria pertinente à Câmara dos Deputados.

Pós-covid

No caso de Ludhmila Hajjar, que é professora da USP (Universidade de São Paulo) e médica do Instituto do Coração, a intenção dos senadores do G7 é não só questioná-la sobre a decisão de recusar um convite para assumir o Ministério da Saúde como, também, ouvir uma autoridade médica que possa descrever a realidade do ambiente hospitalar no enfrentamento ao novo coronavírus. Segundo Otto Alencar, a CPI quer buscar informações sobre o chamado pós-covid, para debater os efeitos sentidos por pacientes mesmo após se curarem da doença.

Até agora por parte do governo não existe solidariedade com as pessoas que morreram e com aquelas que vão ficar com sequelas muito graves de pulmão, cardíaca, psicológica”, comentou o senador. “Quem não conhece a realidade, como o presidente [Bolsonaro], que não visitou um hospital, não sabe o que é puxar o ar e o ar não entrar no pulmão”, criticou.

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Aziz deixa microfone ligado e áudio com críticas a senador vaza durante CPI

Marcos do Val participava por vídeo

“Merda dessa”, disse Aziz

O presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, Omar Aziz (PSD – AM), criticou nesta 4ª feira (2.jun.2021) o senador Marcos do Val (Podemos – ES) durante a fala do capixaba na comissão. Na ocasião, Aziz deixou o microfone ligado e o áudio com as críticas acabou vazando.

“Depois de horas da mulher (Luana Araújo) falando, um cabra desse vem falar uma merda dessa”, disse Omar Aziz.

Na ocasião, Marcos do Val participava via chamada de vídeo e afirmava que a questão sobre a efetividade do tratamento precoce não deveria mais ser a pauta nem motivo de discussão entre os médicos. Ele ainda relatava a experiência dele com métodos sem comprovação científica para o tratamento da covid-19, como o uso de cloroquina.

“Eu só queria que vocês médicos pudessem estar unidos, porque nós temos um problema grande no Brasil. E ver médicos se digladiando um entre o outro que tratamento precoce resolve e o outro que não, a gente tem que discutir é que, pronto, isso já passou, agora é a vacina”, falou o filiado do Podemos.

Durante a participação, o comentário de Omar Aziz vazou. Marcos do Val ainda disse que estavam interrompendo a fala dele e pediu para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que presidia a sessão no momento, resolver a situação.

Pouco antes, o senador do Espírito Santo havia chamado Luana Araújo de “dona da verdade” e a acusou de “canibalismo” pelas críticas feitas a outros médicos que acreditam no tratamento precoce. Durante todo o depoimento, ela se posicionou contrária ao uso desses medicamentos e disse ver uma “falta de informação” por parte dos médicos que ainda insistem em defender e prescrever métodos sem comprovação científica.

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