G1
Nota foi divulgada após embaixador paraguaio em Brasília ser chamado a Assunção. Governo Lula já se reuniu com representantes do Paraguai e atribuiu operação à gestão Bolsonaro. O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai divulgou um comunicado no qual informou que fará um "monitoramento constante" das investigações sobre a denúncia de espionagem de autoridades paraguaias por integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).A nota foi divulgada após o embaixador paraguaio em Brasília, Juan Ángel Delgadillo, ter sido chamado a Assunção para apresentar informações ao chanceler Rubén Ramírez Lezcano."Durante a reunião, o embaixador informou detalhadamente ao chanceler sobre a ação de inteligência ordenada pelo Brasil contra o Paraguai, bem como o desenvolvimento e as implicações que a questão tem no país vizinho [Brasil]", informou o governo paraguaio."O ministro Ramírez Lezcano deu instruções ao embaixador e eles concordaram em manter um monitoramento constante do caso para acompanhar de perto o andamento", acrescentou o comunicado.Embaixador do Brasil no Paraguai se reúne com autoridades do país para tratar de denúncia de monitoramento da AbinDivulgaçãoA informação de que agentes da Abin espionaram autoridades paraguaias foi revelada pelo UOL. A TV Globo também teve acesso ao depoimento de um funcionário da Abin que confirmou a operação e disse que houve invasão de sistemas da Presidência e do Congresso paraguaios.Desde então, integrantes do governo Lula vêm se reunindo com representantes do governo de Santiago Peña para tentar acalmar o país e diminuir a tensão entre os dois governos.O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, por exemplo, conversou com o chanceler Rubén Ramíres. Além disso, o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antonio Marcondes, se reuniu com o vice-ministro das Relações Exteriores paraguaio, Víctor Verdún, para dar explicações.Procurado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não havia se pronunciado até a última atualização desta reportagem.MP paraguaio vai investigarParaguai convoca embaixadores e cobra explicações sobre suspeita de espionagem da AbinNo contexto da suspeita de espionagem, o Ministério Público do Paraguai decidiu investigar o caso.Segundo o órgão, análise preliminar indica que os atos poderiam constituir os tipos penais de: acesso indevido a dados, acesso indevido a sistemas informáticos e interceptação de dados."O Ministério Público reafirma seu compromisso em proteger a soberania nacional e os direitos fundamentais diante de qualquer forma de intromissão indevida e continuará com as investigações", informou.Explicações do ItamaratyEm nota conjunta, a Presidência da República e o Ministério das Relações Exteriores confirmaram a operação de inteligência, informando que a medida começou em junho de 2022, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL), e foi encerrada em março de 2023, quando o governo Lula tomou conhecimento.A nota foi divulgada após o chanceler brasileiro Mauro Vieira ter conversado com Rubén Ramírez Lescano e ter negado que o governo Lula tivesse iniciado a espionagem.Na conversa com Lezcano, Mauro Vieira, segundo o governo paraguaio, reforçou que houve a decisão do governo Jair Bolsonaro de espionar o país vizinho, mas que o governo Lula tornou a medida sem efeito."O governo do Presidente Lula reitera seu compromisso com o respeito e o diálogo transparente como elementos fundamentais nas relações diplomáticas com o Paraguai e com todos seus parceiros na região e no mundo", acrescentou o Itamaraty.