Mato Grosso do Sul tem colhido de 8 a 100 sacas de milho por hectare

Na reta final de um ciclo produtivo marcado por adversidades climáticas caracterizadas por falta de chuva, queda de granizo e geadas, o agronegócio sul-mato-grossense avança na colheita do milho segunda safra com diferença abismal de produtividade, entre 8 e 100 sacas por hectare.

Esse dado consta no mais recente boletim Casa Rural elaborado pelo Siga-MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio), divulgado por Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e Aprosoja (Associação de Produtores de Soja).

No levantamento de campo feito na última de semana de julho, foi apurado que “a operação de colheita segue de maneira lenta, mesmo com a geada acelerando a maturação das plantas”. “No campo pode ser observado produtividades com rendimentos de 100 sc/ha até rendimentos baixíssimos, chegando a de 8 sc/ha”, detalha.

Até o dia 30 passado, as máquinas colheram aproximadamente 192.288 hectares, o equivalente a 9,6% dos 2,003 milhões de hectares cultivados na safra atual. Na região norte, liderada por Coxim, as máquinas já avançaram por 28,6% da área plantada, na região centro, com Campo Grande e Rio Brilhante na frente, por 8,5% e a região sul tem 6,5% de média, puxada por Dourados.

No início desse ciclo produtivo, o agronegócio sul-mato-grossenses esperava colher em média 75 sacas por hectare e produzir 9,013 milhões de toneladas de milho segunda safra 2021. Porém, os efeitos da estiagem após o plantio e de chuvas de granizo na primeira quinzena de junho motivaram a primeira revisão, para 68,7 sacas por hectare e 8,251 milhões de toneladas.

Posteriormente, as geadas ocorridas entre o final de junho e o início de julho reduziram ainda mais as projeções para 52,3 sacas por hectare e 6,285 milhões de toneladas. Isso representa quebra de 40,8% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas em média 93,4 sacas por hectare e produzidas 10,618 milhões de toneladas.

De acordo com o Siga-MS, mesmo com a terceira geada em grande parte da área produtiva do Estado, ocorrida no final de julho, não houve aumento das perdas porque o milho já estava seco em função das geadas anteriores. A avaliação atual é de que apenas 1% das lavouras do Estado estão em boas condições, 36% são regulares e 63% ruins.

Mesmo com essas adversidades, levantamento realizado pela Granos Corretora mencionado no boletim Casa Rural revela que até segunda-feira (2) Mato Grosso do Sul já havia comercializado 57,20% do milho segunda safra 2021, 8 pontos percentuais acima do índice apresentado em igual período de 2020 para aquele ciclo produtivo.

Quanto às cotações, o Siga-MS apurou que na última semana de julho o preço do milho não teve alterações e permaneceu com 4,44% de valorização de frente aos R$ 84,38 por saca cotado no início do mês passado. O valor médio de R$ 87,69 por saca representou alta de 127,88% em relação aos R$ 38,48 do mesmo período de 2020.

 

Ao pontuar que no mercado de Mato Grosso do Sul preços seguem sustentados pela menor oferta, o documento reitera que “essas cotações não significam que o produtor está recebendo esses valores, uma vez que ainda tem pouco produto disponível neste momento e a comercialização antecipada ocorre de modo gradativo”.

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